A abundância econômica que mora no guarda-roupa

E hoje, queridos leitores, a nossa série de janeiro - guarda-roupas - termina com o meu. Não posso afirmar que vou apresentá-lo, pois muitos já o conhecem, pelo menos, parte dele.  Digamos que ele é até famosinho, pois guarda muitas histórias…

Sapateira

Essa sapateira tem estilo, cores e histórias

Essa história começou quando eu ainda era bem novinha e adorava receber roupas que vinham da família. Lembro como se fosse hoje que esperava ansiosamente por aquela sacolona que chegava sempre com as roupas que a minha tia e primas que moravam aqui em Campinas descartavam (eu ainda não morava por aqui e, de certa forma, tomar posse daquelas peças era como se deixasse de morar numa cidade tão pequena como a minha, era ir pra cidade grande…). Sempre, mesmo que de forma inconsciente, acreditei no poder que vinha das roupas.

Depois, essa minha história com as roupas antigas gerou conflitos e também presentes. Os conflitos vinham com a minha mãe que com todo o seu espírito prático, queria descartar e eu guardar, guardar… Em meio a tantas brigas que tive com ela, coitada, algumas pessoas da família solidarizavam-se e guardavam algumas roupas pra mim, falavam assim: - deixa pra Fernanda, ela adora coisas velhas!!!

Daí o tempo foi passando e eu como pessoa mais velha comecei a protagonizar as minhas escolhas e com o meu guarda-roupa e estilo pessoal não poderia ser diferente. Durante a faculdade, pelo menos uma vez por mês, passava por um bazar de caridade alemão que existia na cidade e garimpava algumas peças. Acho que tenho alguma coisa ainda hoje dessa época aqui comigo.

Quando me mudei pra Campinas já formada, ainda no início da carreira, quando sobrava uma graninha lá ia eu descobrir brechós pela cidade… Sem nenhum preconceito, visitava os descolados e os mais simples que na época ficavam pela redondeza da antiga rodoviária. Eu ainda não sabia, mas naquele momento, me aproximava já da minha segunda profissão – consultora de imagem  e docente em cultura de moda. Sem muita racionalização já estava montando o meu acervo vintage e criando muitos looks e histórias comigo mesma.

Passa e passa o tempo, to eu aqui hoje escrevendo esse post, com o guarda-roupa cheio de roupas, estilo, acessórios e histórias. Pra quem não sabe, levo uma parte dele em minhas aulas de Cultura de Moda (na Butique da Ana Vaz) e sempre digo às minhas alunas que se  antes esse meu amor às roupas antigas era tão controverso, hoje ele é negócio!!!

O meu guarda-roupa, confesso, não é inteligente, nem tampouco versátil. Lá tem de tudo – todas as cores, estampas, épocas e histórias. Sou apaixonada por ele. Todas às vezes que monto a mala de cultura de moda, empilho primeiro as roupas em minha cama, separada por décadas. E todas às vezes, quando termino as pilhas, chamo o meu marido e digo: - não é lindo isso?

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O que fica disso tudo? É que não há regras. O meu guarda-roupa ensina que pode haver economia na abundância e que também pode haver estilo na multiplicidade. O que mais importa, mesmo, é o prazer de se vestir, todos os dias (como antigamente falávamos que nos vestíamos para sair, lembram-se?), é saber que a roupa é mensagem e comunicação cotidiana e que o ato de nos arrumarmos pra vida pode ser apaixonante.

Por hoje é isso, espero que tenham gostado!!!

(por Fernanda Junqueira)

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Fernanda Junqueira

2 Comments

Fernanda Junqueira

Obrigada Mi!!!

Muito bom ter você por aqui nos acompanhando…

Um beijo grande!

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